Um amor que vem do outro lado do mar.
09 de Julho de 2009

Senhor José Alencar Gomes da Silva

Vice-Presidente da República Federativa do Brasil



Lisboa, Portugal, 19/10/2004

Discurso do Vice-Presidente, José Alencar Gomes da Silva, na Cerimônia de Abertura do Seminário Portugal: Uma Plataforma para Negócios Brasileiros na UE 

 


Excelentíssimo Sr. Presidente Jorge Sampaio,

Sr. Presidente da Associação Industrial Portuguesa,

Sr. Presidente da Agência Portuguesa para o Investimento,

Sr. Presidente do Instituto de Comércio Exterior Português,

Senhoras e Senhores,

Permitam-me, inicialmente, saudar a presença do Chefe de Estado português, o amigo Jorge Sampaio, que empresta um brilho particular a este encontro entre empresários dos setores produtivos do Brasil e de Portugal.


Ao cumprimentar os empresários portugueses e brasileiros que participam deste seminário, gostaria também de agradecer a gentil acolhida que nos deu, em sua sede, a Associação Industrial Portuguesa, bem como o apoio estendido, na organização do evento, pela Agência Portuguesa para o Investimento e pelo Instituto de Comércio Exterior Português.


A amizade entre nossas nações e os laços históricos, culturais e sociais que nos aproximam, há mais de cinco séculos, encontram sinais cada vez mais claros no nosso relacionamento especial nos planos político e econômico.


Somos irmãos de sangue, amigos de coração e parceiros naturais.

Não foi por outro motivo que não o da singularidade dessa relação que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu Portugal para realizar, em julho do ano passado, sua primeira visita de Estado como Presidente do Brasil.


Naquela ocasião, realizamos um Encontro Empresarial Brasil-Portugal, com a participação de cerca de mais de 300 empresários, onde foram discutidas e incrementadas, com sucesso, as possibilidades e ações para a ampliação do intercâmbio comercial e de investimentos entre os dois países.


Outro exemplo dos vínculos especiais que unem nossos povos foi a recente presença do Primeiro-Ministro Santana Lopes no Brasil, quando participou das comemorações do 7 de Setembro.


Esse fato demonstra o profundo respeito que norteia as relações entre os dois países, assim como o reconhecimento da contribuição histórica aportada pela comunidade portuguesa, no Brasil, e pelos brasileiros que aqui trabalham e contribuem, com sua dignidade e engenhosidade, para o progresso social e econômico da nação portuguesa.


Com relação ao presente encontro, minha própria trajetória como empresário me faz crer que temos, no dia de hoje, mais uma oportunidade para dinamizar as relações econômico-comerciais entre nossas nações, com a participação ativa do empresariado português e brasileiro.


O formato e o conteúdo do seminário “Portugal, uma Plataforma para Negócios Brasileiros na União Européia” foram concebidos de modo a permitir que o empresariado brasileiro, disposto a investir e fazer negócios no cada vez mais amplo mercado europeu, possa enxergar a infra-estrutura, os serviços e a cadeia produtiva portuguesas, como uma ferramenta única para o ingresso em um dos mais populosos e modernos mercados do mundo.


Queremos, com esta iniciativa, que Portugal se posicione, de forma crescente, como o caminho natural para os investidores brasileiros.


Nos dias atuais é mais fácil transferir a fábrica para o local das vendas do que enfrentar o processo, sempre mais moroso, do comércio exterior.


No caso de Portugal, esta constatação é ainda mais significativa porque os brasileiros não se sentem estrangeiros nestas terras, ao contrário, têm a sensação de que estão fazendo negócios em casa, assim como os imigrantes portugueses se sentiram no Brasil, lá prosperando e lá ajudando a construir um país alegre e pujante.


Senhoras e Senhores empresários,

O intercâmbio comercial entre Brasil e Portugal já passou por várias fases. A bem da verdade, nunca correspondeu ao tipo de relação especial que temos.


Resta, no entanto, a certeza, de ele evolui de forma positiva.

No período de janeiro a setembro do corrente ano atingiu, segundo dados brasileiros, a cifra de US$ 858 milhões, ou seja, um aumento de quase 56,4% em relação ao mesmo período de 2003. Já não há dúvidas de que, para todo o ano de 2004, alcançaremos um total recorde na história do comércio bilateral.


Mas não devemos descansar nesta certeza. Temos motivos e estruturas econômicas para irmos mais além.

Ademais dos produtos que tradicionalmente compõem nossa pauta comercial, como os derivados de petróleo, gorduras e óleos, devemos ter em mente a necessidade de contemplarmos produtos de maior valor agregado, já produzidos nos dois países, como no caso da indústria aeronáutica, de veículos automotivos, de vestuário e de software, para citar apenas alguns exemplos.


Por outro lado, se é verdade que a história do comércio bilateral nunca correspondeu à dimensão de nosso relacionamento em outras áreas, o mesmo não podemos dizer dos investimentos.


No início dos anos 90, excluídos os países da União Européia, o Brasil chegou a ser o investidor número um na economia portuguesa. Hoje, Portugal figura entre os primeiros investidores na economia brasileira – fato que se torna ainda mais expressivo quando sabemos que, em 2003, o Brasil representou o destino de 55% dos investimentos portugueses no exterior.


Temos a intenção de que os investimentos bilaterais prossigam sua trajetória de crescimento constante e em bases recíprocas, especialmente no âmbito da pequena e da média empresa, em áreas como a da indústria alimentícia, mecânica, de serviços, distribuição, varejo e autopeças.


Caros amigos,

Ao participar, no dia de ontem, do Workshop sobre o Setor de Turismo no Brasil e do Primeiro Encontro Luso-Brasileiro de Sociedades de Advogados, ambas iniciativas cobertas de pleno êxito, pude confirmar não apenas a dimensão já existente no relacionamento econômico-comercial entre Brasil e Portugal, mas também as perspectivas promissoras que se abrem para o incremento do intercâmbio bilateral.


O momento para um novo salto neste relacionamento não poderia ser melhor.

O Brasil está vivendo uma fase de crescimento econômico, com moeda estável, contas públicas ajustadas, diminuição gradual da relação dívida pública/PIB e saldos comerciais nunca antes vistos em nossa história.


Depois de um ano de ajustes difíceis, o mundo volta a ter plena confiança no Brasil: o risco-país vem declinando de forma consistente, os títulos da dívida pública externa alcançaram cotações próximas a 100% do seu valor de face e os investimentos estrangeiros voltaram a apresentar curva ascendente.


Caro amigo Presidente Jorge Sampaio,

Os resultados dos eventos empresariais destes dois dias demonstram a importância de Portugal como porta de entrada privilegiada para as relações econômicas européias.


É importante que os brasileiros se convençam disto, da mesma forma que os portugueses já sabem que o Brasil é uma rota natural para sua aproximação com os outros países do Mercosul e com os demais mercados sul-americanos.


Ao concluir estas minhas breves palavras, não poderia deixar de dizer às senhoras e aos senhores, da minha emoção ao depositar ontem flores no túmulo de Camões.


Mas do que um poeta, Camões era também um filósofo e, nessa condição, legou ensinamentos plenamente atuais no mundo de hoje. Em uma de suas poesias, disse:


“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança;

Todo o Mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.”

Estou certo de que Brasil e Portugal saberão enfrentar as mudanças por que passa o mundo.

Conseguiremos, estreitando ainda mais o nosso relacionamento, criar as pontes necessárias ao progresso e ao desenvolvimento social de nossos países.


Muito obrigado!

 


 


Creio que depois de belissimas palavras,esclamadas pelo Excelentissimo Senhor Vice Presidente da Republica Federativa do Brasil, eu não precise expressar nada.



Somente o meu orgulho, e gratidão enternecedora por esse conteraneo,e singular homem.


Que se mostra sempre um otimo e exemplar cumpridor da leia Brasileira e da graça em ser um dos " Dos filhos deste solo és mãe gentil".


Salve o Senhor Vice Presidente.


 


 


 

publicado por brasileportugal às 19:38
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